domingo, 15 de abril de 2012

O vôo

Como marinheiro de primeira longa viagem de avião. Escolhí o acento da janela, porque estava doido pra ver chegar os lugares que sempre sonhei em estar. Acho que ficar na janela nem sempre é a melhor opção.

O legal é que o cara que estava ao meu lado era muito gente boa. O cinegrafista Havita sabia falar espanhol e logo fizemos amizade com os comissários de bordo. Já viu ne, depois amigos é só pedir mais uma garrafa de vinho, mais uma, mais uma e mais uma, que você dorme bem durante quase toda a viagem e no final, quando esta quase pousando você abusa e pede um Chandon.

Fiz a conexão em Madri, andei por uns 900 metros em praticamente linha reta dentro do lindo aeroporto. Até achar o portão de embarque, foi um parto, era um tal de R8, R22, R1903, Rpihh. Quando encontrei o portão de embarque ainda faltavam uns 10 minutos para o embarque, tempo suficiente para tomar o Chandon e deixar vários Brasileiros que eu já tinha identificado com inveja.

O avião de Madri para Dublin, como posso dizer, era menor que os aviões da Azul. Encontrei minha poltrona e quem estava ao lado, Brasileiro claro. Cochilei e depois veio o serviço de bordo, pedi “una ceveza” e terminei de dormir todo o voo.


Ao pousar em Dublin, o frio na barriga começou. Deixei tanta gente que amo muito longe pensando se eu vou voltar ou não. Mas estou em um caminho novo, preciso viver esse tempo e aprender o que irá me levar de volta querendo um futuro melhor (filosofei).

Pensava que era muito frio, o tempo todo o maior frio, mas quando cheguei tinha sol e nem precisei colocar o sobretudo imediatamente. Pensa em alguém que estava mais perdido que cego em tiroteio? Era eu procurando como sair e procurando a imigração, minha cabeça ainda não pensava que era tudo em inglês. Ouvi alguns brasileiros falando bem perto e acabei seguindo eles.


É constrangedor chegar na sala de imigração, por que é tudo separado e parece que nós brasileiros (que acabamos sustentando este país) somos jogados para a fila de “não europeus”. Quando foi minha vez, o cara pediu pra tirar foto, me perguntou quanto eu tinha de dinheiro e me deu 3 meses de visto de estudante. Todos os meus amigos aqui ganharam somente 1 mês.

Eu tinha contratado transfer, pois como saberia chegar na minha residência estudantil. Sai do aeroporto e fui procurar alguém pra perguntar como iria para aquele endereço, rasguei meu inglês com um segurança que começou a falar mil coisas que não entendi nada. Voltei para o desembarque vi uns brasileiros e fui perguntar, achei um cara que fazia transfer e que me cobrou 10 conto.


Entramos no carro e ao sair do estacionamento o primeiro susto “vai bater, ta na contramão”, gritou a menina do meu lado. (muitos risos) e explicamos para ela que era mão inglesa. É muito estranho andar na contramão. 15 minutos chegamos a residência, toquei a campanhia e ninguém apareceu. Sentei ali na porta e fiquei esperando.

Passados 2 horas e meia e apareceu um velho, branquelão, alto. Ele veio em minha direção e eu gaguejando falei: “Sorry, I’m from Brazil and I am student”. Ele falou um punhado de coisa que não entendi, eu mostrei os papeis da escola e da acomodação. Entendi que não era ali e com toda atenção e carinho ele ligou para o telefone da residência e então me disse onde era.


Passaram-me o endereço errado. Ainda bem que quem tem boca vai a Roma.

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